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Responder a: Módulo IV- A vida que recebi de meu pai e de minha mãe

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#2452
Claudia Vassão
  • Moderador
@claudia
Ponto(s): 136 pontos

<O módulo nos instiga a importantes reflexões e percebo que tomar pai e mãe é algo contínuo em nossas vidas, nunca se esgota.

Durante a leitura, pensando na diversidade das famílias hoje, gostaria de trazer a questão da maternidade e paternidade socioafetiva, em um contexto que envolve processo judicial promovido por padrastos e em menor número madrastas.

Os processos trazem como demanda a solicitação da “retirada” do certidão de nascimento de uma criança ou adolescente, do nome do pai ou da mãe biológico, colocando em seu lugar aquele que promove o processo (padrasto ou madrasta), sob a alegação que atendem a todas as consideradas funções da parentalidade paterna ou materna, enquanto o biológico é posto como ausente, desconhecida sua localização, negligente, etc.

A justiça solicita apresentação de “provas” e documentos periciais por parte de todos os envolvidos: padrasto ou madrasta, pai ou mãe. Assim o processo se constitui e a decisão do juiz pode: negar a solicitação de retirar o nome do pai ou da mãe biológico da certidão de nascimento e demais documentos da criança ou adolescente o mantendo como esta, ou poderá acatar o pedido retirando/substituindo, ou poderá ainda acrescentar junto ao nome do pai ou da mãe, a identificação do padrasto ou madrasta, vindo a ter na documentação um pai e duas mães, ou uma mãe e dois pais.
Dentro da perspectiva sistêmica das constelações que reflexos isso pode produzir no sistema familiar dos envolvidos e em especial da criança ou do adolescente? Pode ser considerado no campo da adoção, de forma unilateral?

Compreendo que essa judicialização das relações familiares dilacera tudo que se refere ao pertencimento, a hierarquia e ao equilíbrio.

Silvia

Eu penso que a exclusão do nome do pai ou mãe biológicos da certidão de nascimento irá corroborar com um destino difícil deste filho/filha.

Pai e mãe cada ser humano só terá “UM” – os outros, que entram na vida como cuidadores, são padrastos e madrastas e precisam ocupar este lugar. Inclusive, este é o lugar de força deles! O maior problema nas adoções é justamente quando estes cuidadores querem ocupar o lugar de pai e/ou mãe.

Fazer isso judicialmente é o desejo interno de que aqueles pais biológicos, ou um deles, jamais tivesse existido e, com isso, está anulando a parte do filho/filha que carrega, biológica, espiritual e morfogeticamente seu pai e sua mãe biológicos.

Muitos processos judiciais nessa área são completamente “antinaturais” – vou contar um caso que eu soube. Um casal se divorciou quando a filha era muito pequena e a mulher logo se casou com outro homem e foi viver em outro país. Este novo marido, assumiu com todo seu amor a criança. Mais tarde, quando ela já era uma adolescente, a família entrou na justiça reivindicando exatamente isso que você citou, porém, veja que curioso, o pai biológico aceitou. Estamos todos no tribunal: pai e mãe biológicos, padrasto e a garota, que queria muito “ser filha” deste padrasto. E assim, com todos de acordo, ela teve uma nova certidão de nascimento! Agora, com um “novo pai”.

Como fica isso internamente? Um paradoxo! Uma incongruência! Pois, novamente: ela carrega, biológica, espiritual e morfogeticamente seu pai e sua mãe biológicos… e agora afirma – tendo um documento comprovando isso – que seu pai é outro homem!

Gostaria de saber como está sendo a vida desta garota, agora ela deve ser uma jovem adulta, mas eu não tive mais contato com este caso. Talvez a lealdade ao pai biológico atue como processos de autossabotagem na vida dela, talvez, por algum amor maior, tudo tenha se acomodado, não sei…

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