fbpx

Responder a: Módulo IV- A vida que recebi de meu pai e de minha mãe

Home Fóruns Filosofia da Constelação Familiar Módulo IV- A vida que recebi de meu pai e de minha mãe Responder a: Módulo IV- A vida que recebi de meu pai e de minha mãe

#3053
Paula Melo
  • Participante
@paula
Ponto(s): 75 pontos

Rê e Gi

Só complementando o que vocês já escreveram:

Penso que é bem comum o entendimento equivocado sobre a expressão: “Tomar pai e mãe”.

Muitas vezes, o sentido do termo “tomar” é confundido com os mais diversos conceitos, como: perdoar, amar, conviver, resignificar, suportar, dialogar etc.

As consequências oriundas dessa confusão de termos pode levar à interpretações equivocadas, no sentido de redimir, minorizar ou mesmo extinguir as responsabilidades envolvidas nessas relações. De maneira alguma, sob nenhuma interpretação, Bert Hellinger nos trouxe a remissão ou exclusão das responsabilidades dos envolvidos, ao contrário, a constelação proporciona que possamos nos distanciar um pouco da situação, dar uns passo atrás, para olhar mais amplo, para nos individualizarmos (no sentido de separar o que é meu e o que é do outro) e então reconhecer o lugar e as responsabilidades (em todos os âmbitos) de cada um. Esse processo permite uma “reorganização” dos sentimentos e dá um lugar ao que antes estava misturado, trocado, distorcido, oculto etc.

Em situações de abuso parental, o processo de dar um passo atrás (olhar mais amplo) permite o reconhecimento de conteúdos, antes inconscientes, possibilitando que cada um se relacione apenas com o que é seu nessa relação. Dessa forma, a vítima pode deixar com o abusador o que é dele, ou seja, a possibilidade de se relacionar com a culpa desse ato que cometeu, isso inclui assumir as responsabilidades criminais bem como, todas as responsabilidades sistêmicas advindas do mesmo. A vítima se retira da posição de juiz e redireciona sua energia para a vida.

A partir desse ponto, o indivíduo que antes estava na posição de vítima, toma as rédeas de sua vida e se apresenta como “sujeito” e então surge um olhar mais amplo, onde ele reconhece que há algo maior antes tudo o que aconteceu, e esse algo maior é a Vida que se sobrepõe a tudo, então é aqui, nesse exato ponto, que o sujeito reconhece que essa Vida, esse “algo maior” só chegou nele porque fluiu de seus ancestrais por meio do pai e da mãe, não há outro caminho possível e por isso ele é o certo, porque ele é único. Então é por aqui também que entendemos a expressão: “Nós temos os pais certos”. O sujeito reconhece que foi através dos pais que ele recebeu a possibilidade da Vida. E é com essa gratidão que ele passa a se relacionar. Isso é o bastante. Então, “perdoar”, “amar”, “conviver”… nada disso é necessário para o sistema, se não for o caso porém, reconhecer o caminho pelo qual a Vida fluiu até mim, é essencial.

E agora o indivíduo é o sujeito de sua própria vida, assume a responsabilidade sobre a “Bola de ouro” (para citar uma expressão de Bert Hellinger) que recebeu de seus pais e transmite consciente aos seus descendentes.

É claro, que isso é um processo contínuo e incessante, independente do que aconteceu nessa relação. Por toda a vida estamos a tomar pai e mãe. Pouco a pouco, de gole em gole o líquido da Vida vai nos recursando para mais Vida e assim seguimos para o mais.

Bjs pra todos.

+2
Rolar para cima