fbpx

Responder a: Módulo IV- A vida que recebi de meu pai e de minha mãe

Home Fóruns Filosofia da Constelação Familiar Módulo IV- A vida que recebi de meu pai e de minha mãe Responder a: Módulo IV- A vida que recebi de meu pai e de minha mãe

#3070
Paula Melo
  • Participante
@paula
Ponto(s): 75 pontos

Elisângela, sim, há muitas formas dos sistemas familiares se estruturarem, mas mesmo assim, em todos eles há um único pai e uma única mãe biológicos e eles têm o lugar que lhes cabem, independente de serem conhecidos ou não, de estarem vivos ou não.

Porém, os cuidadores, ou “pais adotivos” ou “pais socioafetivos”, ou casais que optaram por fertilizações in vitro com ovodoação ou doação de esperma, eles também tem o seu lugar no sistema familiar dessa criança. Mas é um outro lugar, não o lugar dos pais biológicos.

Importante salientar que, não é o ato em si que desequilibra o sistema, mas a forma como os membros do sistema o simbolizam. Por exemplo, em uma família onde uma criança foi concebida por ovodoação, e que o casal reconhece e honra o lugar da mãe biológica (a que doou os óvulos) dentro do sistema e respeita o lugar de cada membro do sistema então o equilíbrio permanece. Porém, se a família não tem conhecimento das leis sistêmicas, da importância do pertencimento da mãe biológica, então consciente ou inconscientemente irá excluir a mãe biológica e aí sim o desequilíbrio se instala e a criança poderá trazer essa informação a fim de equilibrar o sistema.

Gostaria de compartilhar minha vivência como mãe de fertilização in vitro:

O pai da minha filha, possui uma doença genética potencialmente mortal e com gene dominante, o que significa que cada filho nosso teria uma chance de 50% de herdar a mutação genética que leva o desenvolvimento da doença. Refletimos muito a respeito e, considerando a moderada incidência de casos da doença na família e principalmente o sofrimento pelo qual ele havia passado, decidimos optar por fazer a fertilização in vitro seguida da separação embrionária dos que possuiam a mutação genética.

Na época, há 12 atrás, eu não tinha conhecimentos sobre constelação familiar e não podia imaginar as consequências dessa decisão.

Pois bem, durante o procedimento de fertilização, 11 embriões se formaram e destes, 9 tinham a mutação genética e 2 não tinham.

Transferimos para o meu útero os 2 embriões que não tinham a mutação e os outros 9 foram congelados, e após um período de 5 anos, doados para uma pesquisa de células tronco embrionárias.

Perdi um dos bebês e minha filha nasceu saudável. Ela foi a primeira criança, no mundo, a nascer desse processo para o caso da Paramiloidose (é uma doença raríssima). Depois dela, mais 5 crianças vieram ao mundo pelo mesmo processo e hoje, possivelmente esse número já tenha aumentado.

Enfim, nesse ato, transgredimos a lei do pertencimento, pois eu estava incrivelmente focada em engravidar da Helena, algo me movia fortemente nessa direção. Na ocasião não olhei, não dei lugar aos embriões que possuiam a mutação e nem mesmo ao embrião que foi transferido ao meu útero e que não evoluiu. Minha energia estava absolutamente voltada a levar a gravidez ao final e trazer a Helena ao mundo. Durante o processo de fertilização, houve algumas intercorrências, houve risco de morte por hiperestímulo ovariano além de inúmeros desconfortos e situações de stress emocional e físico. mas havia algo muito maior que nos movia nessa direção e todo o resto era minorizado diante dessa condução.

Alguns poucos anos após o nascimento da Helena, as responsabilidades dessa transgressão começaram a aparecer. Helena as trouxe uma a uma (por sintomas, comportamentos e até mesmo pela fala) e nos entregou a mim e ao pai, para que tudo fosse incluído e dado um lugar. E foi assim que eu cheguei na constelação familiar, para trabalhar em mim o que eu vi pela alma da Helena e que desequilibrava o nosso sistema.

Precisei trabalhar todos esses processos de inclusão e também de profunda gratidão aos 10 embriões (meus filhos também) que em seu sacrifício possibilitaram que inúmeras crianças pudessem vir ao mundo sem a Paramiloidose e, quem sabe, outras tantas vidas se beneficiarão das pesquisas nas quais eles foram os mestres. Foi uma enorme honra ter sido portal para que eles pudessem realizar essa missão.

Então, o que quero dizer é: podemos transgredir as leis, conscientes ou não, mas não esqueçamos que as responsabilidades sempre encontram uma maneira de chegar a quem é de direito.

+2
Rolar para cima