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Módulo IV- A vida que recebi de meu pai e de minha mãe

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Visualizando 12 posts - 1 até 12 (de 12 do total)
  • Autor
    Posts
  • #1997
    Eliane Kuhn
    • Mestre
    @eliane
    Ponto(s): 242 pontos

    A cada módulo que preparamos para vocês os assuntos vão se tornando mais envolventes e profundos proporcionando muitas reflexões e claro levando para links com as suas dinâmicas familiares e movimentando os seus conteúdos internos, lembrem essa é a nosso proposta, que vocês trabalhem suas questões e exercitem uma nova postura interna para atuar na vida de forma sistêmica.

    Então contem pra gente sobre as suas percepções, suas reflexões, dúvidas e que o tem movimentado você com os conteúdos do módulo 4.

    Abraços Sistêmicos

    Eliane Kuhn

     

    +2
    #2089
    Elizângela dos Santos Schmoeller
    • Participante
    @elizangela-dos-santos-schmoeller
    Ponto(s): 86 pontos

    A minha questão principal com relação ao tema de tomar o pai e mãe biológicos é como ficam as crianças que nascem de um doador(a) anônimo(a)? E quando essa criança é filha de casais homoafetivos? Nessa questão genética atual, as variáveis das formas de concepção estão totalmente implicadas, seja no âmbito emocional, espiritual ou até mesmo biológico e jurídico. O óvulo por vezes é de uma mulher, gerado no ventre de outra. Também acontece, de casais utilizarem doadores do óvulo ou do espermatozoide ou dos dois e conceberem a criança em um ventre amigo. Ainda é possível que o óvulo e o espermatozoide sejam do casal “in vitro” e alimentado e gerado por outra pessoa.

    +3
    #2090
    Elizângela dos Santos Schmoeller
    • Participante
    @elizangela-dos-santos-schmoeller
    Ponto(s): 86 pontos

    Outra questão importante quanto à autonomia dos filhos. Como “empurrá-los” para fora do ninho quando você lhes dar o apoio e o incentivo, mas eles não querem voar? Parecem sempre desistir de deixar a casa dos pais e se esforçarem para permanecerem por perto? E quando o marido/esposa age como um filho delegando toda a responsabilidade da administração da vida ao parceiro? Quando há uma clara confusão e ele/ela não se coloca como parceiro, mas disputa como um irmão no seu lugar na família, em vez de assumir a sua postura? Nessa hipótese, principalmente, quando se trata de filho adulto do primeiro casamento e segundo(a) parceiro(a)?

    +1
    #2179
    Sílvia Andréia Giuliani
    • Participante
    @silvia-andreia-giuliani
    Ponto(s): 67 pontos

    <O módulo nos instiga a importantes reflexões e percebo que tomar pai e mãe é algo contínuo em nossas vidas, nunca se esgota.

    Durante a leitura, pensando na diversidade das famílias hoje, gostaria de trazer a questão da maternidade e paternidade socioafetiva, em um contexto que envolve processo judicial promovido por padrastos e em menor número madrastas.

    Os processos trazem como demanda a solicitação da “retirada” do certidão de nascimento de uma criança ou adolescente, do nome do pai ou da mãe biológico, colocando em seu lugar aquele que promove o processo (padrasto ou madrasta), sob a alegação que atendem a todas as consideradas funções da parentalidade paterna ou materna, enquanto o biológico é posto como ausente, desconhecida sua localização, negligente, etc.

    A justiça solicita apresentação de “provas” e documentos periciais por parte de todos os envolvidos: padrasto ou madrasta, pai ou mãe. Assim o processo se constitui e a decisão do juiz pode: negar a solicitação de retirar o nome do pai ou da mãe biológico da certidão de nascimento e demais documentos da criança ou adolescente o mantendo como esta, ou poderá acatar o pedido retirando/substituindo, ou poderá ainda acrescentar junto ao nome do pai ou da mãe, a identificação do padrasto ou madrasta, vindo a ter na documentação um pai e duas mães, ou uma mãe e dois pais.
    Dentro da perspectiva sistêmica das constelações que reflexos isso pode produzir no sistema familiar dos envolvidos e em especial da criança ou do adolescente? Pode ser considerado no campo da adoção, de forma unilateral?

    Compreendo que essa judicialização das relações familiares dilacera tudo que se refere ao pertencimento, a hierarquia e ao equilíbrio.

    +2
    #2197
    Renata Ayra
    • Mestre
    @renata
    Ponto(s): 190 pontos

    Em resposta ao seu primeiro tópico de questionamentos Elizangela:
    _____________________________________
    “A minha questão principal com relação ao tema de tomar o pai e mãe biológicos é como ficam as crianças que nascem de um doador(a) anônimo(a)? E quando essa criança é filha de casais homoafetivos? Nessa questão genética atual, as variáveis das formas de concepção estão totalmente implicadas, seja no âmbito emocional, espiritual ou até mesmo biológico e jurídico. O óvulo por vezes é de uma mulher, gerado no ventre de outra. Também acontece, de casais utilizarem doadores do óvulo ou do espermatozoide ou dos dois e conceberem a criança em um ventre amigo. Ainda é possível que o óvulo e o espermatozoide sejam do casal “in vitro” e alimentado e gerado por outra pessoa.”
    ____________________________________

    E se ao invés de usarmos “tomar os pais” substituirmos para “tomar a vida” que corre nas veias do ser humano em questão?
    Até onde sabemos hoje, a vida começa sempre com o “encontro” de um óvulo e um espermatozoide, uma partícula Yin e outra Yang. Então, por essa perspectiva o tomar os pais seria olhar para o poderoso quantum de energia vital gerado pela interação entre aquelas duas partículas Yin&Yang primordiais, que por inúmeras questões se encontraram e deram origem ao ser que está ali diante de nós. Olhar, reconhecer, honrar, incluir e agradecer.

    Quanto a dinâmicas sistêmicas que se apresentam na vida da pessoa gerada em barriga de aluguel, na inseminação artificial, ou que tenha pais desconhecidos,  podemos sempre recorrer ao olhar fenomenológico. Na neutralidade, abrimos mão do julgamento, observamos de maneira neutra o fenômeno qualquer que esteja se apresentando na vida de uma pessoa e à luz da consciência a pessoa tem a chance de ressignificar sua conexão com os campos em questão e alinhar-se às leis sistêmicas se liberando assim em direção a mais vida.

    +2
    #2331
    Renata Ayra
    • Mestre
    @renata
    Ponto(s): 190 pontos

    Outra questão importante quanto à autonomia dos filhos. Como “empurrá-los” para fora do ninho quando você lhes dar o apoio e o incentivo, mas eles não querem voar? Parecem sempre desistir de deixar a casa dos pais e se esforçarem para permanecerem por perto?

    Cada caso é um caso, mas sempre que alguém apresenta dificuldades para ir para a sua autonomia é interessante voltar o olhar para o início de tudo:  Pai e Mãe.
    Como é a relação desses filhos com seus pais? E com suas mães? Existem reivindicações desses filhos para com um dos pais, ou os dois? Esses filhos ocupam seus lugares na hierarquia familiar?

    Ou ainda uma outra questão interessante de se fazer: Como é a relação dessa mãe e desse pai com relação aos filhos?
    Algumas vezes os pais acabam não liberando verdadeiramente seus filhos para a vida adulta. Oferecendo ajuda sempre que algum problema se apresenta para esses filhos a mensagem inconsciente que fica na relação é: você não é capaz de resolver isso sozinho. E assim é registrada por esses filhos que acabam tendo mais dificuldades de ir para a sua autonomia.

    +1
    #2332
    Renata Ayra
    • Mestre
    @renata
    Ponto(s): 190 pontos

    E quando o marido/esposa age como um filho delegando toda a responsabilidade da administração da vida ao parceiro? Quando há uma clara confusão e ele/ela não se coloca como parceiro, mas disputa como um irmão no seu lugar na família, em vez de assumir a sua postura? Nessa hipótese, principalmente, quando se trata de filho adulto do primeiro casamento e segundo(a) parceiro(a)?

     

    Gosto muito do trabalho do constelador espanhol Joan Garriga, que é especialista em relacionamentos amorosos. Ele diz que um bom relacionamento amoroso só pode acontecer entre dois adultos. Quando um do casal se coloca como menor, temos indícios de há algo fora de ordem e isso pode estar acontecendo por uma série de razões. Antes de sugerir uma constelação para um caso como esse que você colocou, eu sugeriria  fortemente a leitura do livro “O Amor que nos faz bem” de Joan Garriga, é uma pérola de sabedoria nesse assunto.

    +1
    #2452
    Claudia Vassão
    • Moderador
    @claudia
    Ponto(s): 133 pontos

    <O módulo nos instiga a importantes reflexões e percebo que tomar pai e mãe é algo contínuo em nossas vidas, nunca se esgota.

    Durante a leitura, pensando na diversidade das famílias hoje, gostaria de trazer a questão da maternidade e paternidade socioafetiva, em um contexto que envolve processo judicial promovido por padrastos e em menor número madrastas.

    Os processos trazem como demanda a solicitação da “retirada” do certidão de nascimento de uma criança ou adolescente, do nome do pai ou da mãe biológico, colocando em seu lugar aquele que promove o processo (padrasto ou madrasta), sob a alegação que atendem a todas as consideradas funções da parentalidade paterna ou materna, enquanto o biológico é posto como ausente, desconhecida sua localização, negligente, etc.

    A justiça solicita apresentação de “provas” e documentos periciais por parte de todos os envolvidos: padrasto ou madrasta, pai ou mãe. Assim o processo se constitui e a decisão do juiz pode: negar a solicitação de retirar o nome do pai ou da mãe biológico da certidão de nascimento e demais documentos da criança ou adolescente o mantendo como esta, ou poderá acatar o pedido retirando/substituindo, ou poderá ainda acrescentar junto ao nome do pai ou da mãe, a identificação do padrasto ou madrasta, vindo a ter na documentação um pai e duas mães, ou uma mãe e dois pais.
    Dentro da perspectiva sistêmica das constelações que reflexos isso pode produzir no sistema familiar dos envolvidos e em especial da criança ou do adolescente? Pode ser considerado no campo da adoção, de forma unilateral?

    Compreendo que essa judicialização das relações familiares dilacera tudo que se refere ao pertencimento, a hierarquia e ao equilíbrio.

    Silvia

    Eu penso que a exclusão do nome do pai ou mãe biológicos da certidão de nascimento irá corroborar com um destino difícil deste filho/filha.

    Pai e mãe cada ser humano só terá “UM” – os outros, que entram na vida como cuidadores, são padrastos e madrastas e precisam ocupar este lugar. Inclusive, este é o lugar de força deles! O maior problema nas adoções é justamente quando estes cuidadores querem ocupar o lugar de pai e/ou mãe.

    Fazer isso judicialmente é o desejo interno de que aqueles pais biológicos, ou um deles, jamais tivesse existido e, com isso, está anulando a parte do filho/filha que carrega, biológica, espiritual e morfogeticamente seu pai e sua mãe biológicos.

    Muitos processos judiciais nessa área são completamente “antinaturais” – vou contar um caso que eu soube. Um casal se divorciou quando a filha era muito pequena e a mulher logo se casou com outro homem e foi viver em outro país. Este novo marido, assumiu com todo seu amor a criança. Mais tarde, quando ela já era uma adolescente, a família entrou na justiça reivindicando exatamente isso que você citou, porém, veja que curioso, o pai biológico aceitou. Estamos todos no tribunal: pai e mãe biológicos, padrasto e a garota, que queria muito “ser filha” deste padrasto. E assim, com todos de acordo, ela teve uma nova certidão de nascimento! Agora, com um “novo pai”.

    Como fica isso internamente? Um paradoxo! Uma incongruência! Pois, novamente: ela carrega, biológica, espiritual e morfogeticamente seu pai e sua mãe biológicos… e agora afirma – tendo um documento comprovando isso – que seu pai é outro homem!

    Gostaria de saber como está sendo a vida desta garota, agora ela deve ser uma jovem adulta, mas eu não tive mais contato com este caso. Talvez a lealdade ao pai biológico atue como processos de autossabotagem na vida dela, talvez, por algum amor maior, tudo tenha se acomodado, não sei…

    +2
    #2745
    Gi Caviquioli
    • Participante
    @gislaine-caviquioli
    Ponto(s): 47 pontos

    No modulo IV O tema  “A vida que recebi de meu pai e minha mãe”. Nossa vida se  inicia  por meio de Pai e mãe, e através de uma mãe e pai, se dá início a vida com uma transmissão de carga genética e morfogenética. Apesar do seu inicio , ela já vem com uma “bagagem” , já se inicia com uma história ,  com informações do sistema familiar de Pai e Mãe.  Muitas informações inconscientes são passadas para nós! Dinâmicas familiares , Traumas  projeções de vida .

    Entendemos que é Necessário “Olhar” nossa historia para ver, Contextualizar, e Compreender , e  se render ao que aconteceu , do jeito que aconteceu. E assim eu  “tomar o pai , tomar a Mãe”, reconhece-los e ressignificar .

    Honrar  e tomar  pai e mãe nesse contexto sem traumas tão significante é algo que de inicio não exigem muito esforços , porém como trazer para o coração , horando pai e mãe que comentem algo contra a própria vida do filho(a).  Como Assassinato , abuso sexual . Como esse filho ou filha toma seu pai e mãe ? ( sei que nesse momento estou no papel de julgar . Mas esse é um ponto que me traz  duvidas e até  uma não concordância com a situação ).

    Agora peço licença para compartilhar uma historia : Eu conheço uma pessoa,  por meio do meu trabalho,  que a própria Irmã dela ( única Irmã )   cometia abuso sexual junto com o companheiro atual contra a própria filha  .  Isso foi um choque para essa Irma que nunca suspeitou do caso .  Ela tinha uma percepção da Irma ser um pouco diferente , mas nunca em nenhum momento ela imaginou que a Irma fosse alguém que cometesse um ato dessa natureza . Em relato se descobriu que todos os dois companheiros que a tal Irma teve eram abusadores  e praticaram o crime junto .  A criança foi abusada com consentimento da mãe pelo companheiro desde os 2 anos de idade ate os 7 .Nesse momento foram dois relacionamentos que a mãe da criança teve e ambos sendo abusadores .  O fato foi  sessado, pois foi descoberto pela policia, e todos estão  presos . A tia esta com a guarda da criança , pois o pai é omisso abriu mão da guarda da criança ,e esta em um novo relacionamento que a atual esposa  não aceita a criança .

    Nesses casos para mim é desafiador pensar nessa criança e “entender o tomar , mãe e pai “.

    Perguntei  se ouve casos de abuso da pessoa que cometeu o ato para a Irma , porém a mesma acredita que não . que nunca ouve isso na sua família .que todos ficaram escandalizados com a situação.

    +1
    #2756
    Renata Ayra
    • Mestre
    @renata
    Ponto(s): 190 pontos

    Honrar e tomar pai e mãe nesse contexto sem traumas tão significante é algo que de inicio não exigem muito esforços , porém como trazer para o coração , horando pai e mãe que comentem algo contra a própria vida do filho(a). Como Assassinato , abuso sexual . Como esse filho ou filha toma seu pai e mãe ? ( sei que nesse momento estou no papel de julgar . Mas esse é um ponto que me traz duvidas e até uma não concordância com a situação ). Agora peço licença para compartilhar uma historia : Eu conheço uma pessoa, por meio do meu trabalho, que a própria Irmã dela ( única Irmã ) cometia abuso sexual junto com o companheiro atual contra a própria filha . Isso foi um choque para essa Irma que nunca suspeitou do caso . Ela tinha uma percepção da Irma ser um pouco diferente , mas nunca em nenhum momento ela imaginou que a Irma fosse alguém que cometesse um ato dessa natureza . Em relato se descobriu que todos os dois companheiros que a tal Irma teve eram abusadores e praticaram o crime junto . A criança foi abusada com consentimento da mãe pelo companheiro desde os 2 anos de idade ate os 7 .Nesse momento foram dois relacionamentos que a mãe da criança teve e ambos sendo abusadores . O fato foi sessado, pois foi descoberto pela policia, e todos estão presos . A tia esta com a guarda da criança , pois o pai é omisso abriu mão da guarda da criança ,e esta em um novo relacionamento que a atual esposa não aceita a criança . Nesses casos para mim é desafiador pensar nessa criança e “entender o tomar , mãe e pai “. Perguntei se ouve casos de abuso da pessoa que cometeu o ato para a Irma , porém a mesma acredita que não . que nunca ouve isso na sua família .que todos ficaram escandalizados com a situação.

    Em resposta a Gislaine Caviquioli
    Importantes as suas colocações e suas perguntas, Gislaine. Aproveito para convidar os participantes do fórum para contribuir com seus olhares.

    “Honrar e tomar pai e mãe nesse contexto sem traumas tão significante é algo que de inicio não exigem muito esforços , porém como trazer para o coração , horando pai e mãe que comentem algo contra a própria vida do filho(a). Como Assassinato , abuso sexual . Como esse filho ou filha toma seu pai e mãe ? ( sei que nesse momento estou no papel de julgar . Mas esse é um ponto que me traz duvidas e até uma não concordância com a situação ).”

    Na aula em que fazemos o desdobramento das   “versões” de uma pessoa pudemos lembrar que as duas versões (enquanto filhos e filhas) com as quais temos como trabalhar internamente para tomar verdadeiramente nossos pais são: o que nos deu a vida e o cuidador ou cuidadora.
    Honrar pai e mãe e tomar a vida que vem deles é olhar para a parcela que nos deu a vida e dizer SIM a ela. No caso de relações abusivas, tóxicas com um ou dois dos pais fica muitas vezes difícil o olhar para esta parcela que deu a vida porque a relação com a parcela  “cuidador/a” está cheia de traumas.

    Então, vejo o auxilio terapêutico para poder “tratar” dos traumas relacionados aos pais “cuidadores” abusivos como muito importante para então ser mais possível dissociar o olhar  para essas duas versões. Ao dissociar as parcelas,  este filho pode olhar para o cuidador tóxico e classificar a parcela desse pai/mãe como sentir no momento e então se afastar se assim decidir. Depois dessa etapa, ele pode olhar com profundo respeito e gratidão apenas para a parte que lhe deu a vida, que em algum momento na teia da vida se encontrou sexualmente com a contraparte e gerou a vida que corre hoje em si. Desta forma, este filho se conecta com a força da vida que veio pelos tempos fluindo por toda a sua ancestralidade até chegar no pulso dentro de si, e assim seguir mais livre para a sua própria caminhada.

     

     

     

     

    • Esta resposta foi modificada 3 mêses atrás por Renata Ayra.
    +2
    #3053
    Paula Melo
    • Participante
    @paula
    Ponto(s): 75 pontos

    Rê e Gi

    Só complementando o que vocês já escreveram:

    Penso que é bem comum o entendimento equivocado sobre a expressão: “Tomar pai e mãe”.

    Muitas vezes, o sentido do termo “tomar” é confundido com os mais diversos conceitos, como: perdoar, amar, conviver, resignificar, suportar, dialogar etc.

    As consequências oriundas dessa confusão de termos pode levar à interpretações equivocadas, no sentido de redimir, minorizar ou mesmo extinguir as responsabilidades envolvidas nessas relações. De maneira alguma, sob nenhuma interpretação, Bert Hellinger nos trouxe a remissão ou exclusão das responsabilidades dos envolvidos, ao contrário, a constelação proporciona que possamos nos distanciar um pouco da situação, dar uns passo atrás, para olhar mais amplo, para nos individualizarmos (no sentido de separar o que é meu e o que é do outro) e então reconhecer o lugar e as responsabilidades (em todos os âmbitos) de cada um. Esse processo permite uma “reorganização” dos sentimentos e dá um lugar ao que antes estava misturado, trocado, distorcido, oculto etc.

    Em situações de abuso parental, o processo de dar um passo atrás (olhar mais amplo) permite o reconhecimento de conteúdos, antes inconscientes, possibilitando que cada um se relacione apenas com o que é seu nessa relação. Dessa forma, a vítima pode deixar com o abusador o que é dele, ou seja, a possibilidade de se relacionar com a culpa desse ato que cometeu, isso inclui assumir as responsabilidades criminais bem como, todas as responsabilidades sistêmicas advindas do mesmo. A vítima se retira da posição de juiz e redireciona sua energia para a vida.

    A partir desse ponto, o indivíduo que antes estava na posição de vítima, toma as rédeas de sua vida e se apresenta como “sujeito” e então surge um olhar mais amplo, onde ele reconhece que há algo maior antes tudo o que aconteceu, e esse algo maior é a Vida que se sobrepõe a tudo, então é aqui, nesse exato ponto, que o sujeito reconhece que essa Vida, esse “algo maior” só chegou nele porque fluiu de seus ancestrais por meio do pai e da mãe, não há outro caminho possível e por isso ele é o certo, porque ele é único. Então é por aqui também que entendemos a expressão: “Nós temos os pais certos”. O sujeito reconhece que foi através dos pais que ele recebeu a possibilidade da Vida. E é com essa gratidão que ele passa a se relacionar. Isso é o bastante. Então, “perdoar”, “amar”, “conviver”… nada disso é necessário para o sistema, se não for o caso porém, reconhecer o caminho pelo qual a Vida fluiu até mim, é essencial.

    E agora o indivíduo é o sujeito de sua própria vida, assume a responsabilidade sobre a “Bola de ouro” (para citar uma expressão de Bert Hellinger) que recebeu de seus pais e transmite consciente aos seus descendentes.

    É claro, que isso é um processo contínuo e incessante, independente do que aconteceu nessa relação. Por toda a vida estamos a tomar pai e mãe. Pouco a pouco, de gole em gole o líquido da Vida vai nos recursando para mais Vida e assim seguimos para o mais.

    Bjs pra todos.

    +2
    #3070
    Paula Melo
    • Participante
    @paula
    Ponto(s): 75 pontos

    Elisângela, sim, há muitas formas dos sistemas familiares se estruturarem, mas mesmo assim, em todos eles há um único pai e uma única mãe biológicos e eles têm o lugar que lhes cabem, independente de serem conhecidos ou não, de estarem vivos ou não.

    Porém, os cuidadores, ou “pais adotivos” ou “pais socioafetivos”, ou casais que optaram por fertilizações in vitro com ovodoação ou doação de esperma, eles também tem o seu lugar no sistema familiar dessa criança. Mas é um outro lugar, não o lugar dos pais biológicos.

    Importante salientar que, não é o ato em si que desequilibra o sistema, mas a forma como os membros do sistema o simbolizam. Por exemplo, em uma família onde uma criança foi concebida por ovodoação, e que o casal reconhece e honra o lugar da mãe biológica (a que doou os óvulos) dentro do sistema e respeita o lugar de cada membro do sistema então o equilíbrio permanece. Porém, se a família não tem conhecimento das leis sistêmicas, da importância do pertencimento da mãe biológica, então consciente ou inconscientemente irá excluir a mãe biológica e aí sim o desequilíbrio se instala e a criança poderá trazer essa informação a fim de equilibrar o sistema.

    Gostaria de compartilhar minha vivência como mãe de fertilização in vitro:

    O pai da minha filha, possui uma doença genética potencialmente mortal e com gene dominante, o que significa que cada filho nosso teria uma chance de 50% de herdar a mutação genética que leva o desenvolvimento da doença. Refletimos muito a respeito e, considerando a moderada incidência de casos da doença na família e principalmente o sofrimento pelo qual ele havia passado, decidimos optar por fazer a fertilização in vitro seguida da separação embrionária dos que possuiam a mutação genética.

    Na época, há 12 atrás, eu não tinha conhecimentos sobre constelação familiar e não podia imaginar as consequências dessa decisão.

    Pois bem, durante o procedimento de fertilização, 11 embriões se formaram e destes, 9 tinham a mutação genética e 2 não tinham.

    Transferimos para o meu útero os 2 embriões que não tinham a mutação e os outros 9 foram congelados, e após um período de 5 anos, doados para uma pesquisa de células tronco embrionárias.

    Perdi um dos bebês e minha filha nasceu saudável. Ela foi a primeira criança, no mundo, a nascer desse processo para o caso da Paramiloidose (é uma doença raríssima). Depois dela, mais 5 crianças vieram ao mundo pelo mesmo processo e hoje, possivelmente esse número já tenha aumentado.

    Enfim, nesse ato, transgredimos a lei do pertencimento, pois eu estava incrivelmente focada em engravidar da Helena, algo me movia fortemente nessa direção. Na ocasião não olhei, não dei lugar aos embriões que possuiam a mutação e nem mesmo ao embrião que foi transferido ao meu útero e que não evoluiu. Minha energia estava absolutamente voltada a levar a gravidez ao final e trazer a Helena ao mundo. Durante o processo de fertilização, houve algumas intercorrências, houve risco de morte por hiperestímulo ovariano além de inúmeros desconfortos e situações de stress emocional e físico. mas havia algo muito maior que nos movia nessa direção e todo o resto era minorizado diante dessa condução.

    Alguns poucos anos após o nascimento da Helena, as responsabilidades dessa transgressão começaram a aparecer. Helena as trouxe uma a uma (por sintomas, comportamentos e até mesmo pela fala) e nos entregou a mim e ao pai, para que tudo fosse incluído e dado um lugar. E foi assim que eu cheguei na constelação familiar, para trabalhar em mim o que eu vi pela alma da Helena e que desequilibrava o nosso sistema.

    Precisei trabalhar todos esses processos de inclusão e também de profunda gratidão aos 10 embriões (meus filhos também) que em seu sacrifício possibilitaram que inúmeras crianças pudessem vir ao mundo sem a Paramiloidose e, quem sabe, outras tantas vidas se beneficiarão das pesquisas nas quais eles foram os mestres. Foi uma enorme honra ter sido portal para que eles pudessem realizar essa missão.

    Então, o que quero dizer é: podemos transgredir as leis, conscientes ou não, mas não esqueçamos que as responsabilidades sempre encontram uma maneira de chegar a quem é de direito.

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