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Boa e má consciência

A má consciência nos traz culpa. Ela está à serviço da lealdade pelo nosso sistema. Funciona como um programa que diz: “se você fizer diferente, você corre o risco de perder seu lugar”.
Ela zela pelo nosso pertencimento. Repetindo o velho e conhecido padrão, mesmo que ele não esteja nos fazendo bem, voltamos para a inocência, que percebemos como uma boa consciência.

Mas há padrões familiares que já passaram da hora de serem renovados! E para fazer diferente, ir além, mudar padrão é preciso respeitar esse mesmo padrão que já não me cabe mais, deixando em paz aqueles que decidiram seguir com ele. O próximo passo é tomar a decisão de fazer diferente e então suportar sentir a má consciência, a tal da culpa por estar fazendo o que sua boa consciência diz que não está certo. 

Assim, conviver algum tempo com uma certa culpa faz bem! Lembre-se: na maioria das vezes, não se trata de certo ou errado, mas sim de “diferente”.

Suportar a culpa nos leva à maturidade e à autonomia, pois estamos tomando decisões por nós mesmos, fazendo diferente daquilo que o padrão sistêmico impresso em nossos campos morfogenéticos nos impulsionaria a fazer.

E o melhor: estamos abrindo precedente dentro do nosso campo morfogenético: os que vierem depois de nós poderão escolher fazer do velho padrão ou fazer da nova maneira que nós implementamos em nosso sistema.

Se pensarmos os campos mórficos como bancos de dados, ora, estamos então atualizando informações lá! Aliás, fazemos isso o tempo todo, pena que, na maioria das vezes, inconscientemente. Também fazemos bobagens, claro. Nossas escolhas ruins também viram registros no banco de dados.

Parece contraditório, mas suportar a culpa, a má consciência é o que muda padrão, gera liberdade e leva o sistema todo a romper com informações geradas no passado, a crescer e evoluir.

Lembrando: para que isso funcione o caminho correto é o do amor: concordar com este padrão, entender que ele foi importante para muitas pessoas e para manter o sistema familiar. Respeitar profundamente tudo do jeito que foi e, então, ter a coragem para suportar a culpa e fazer diferente.

O outro caminho é o do rebelar-se. Algumas pessoas dizem que nunca querem ser como seus pais ou nunca vão fazer coisas que são feitas em seu sistema familiar, pois tudo está errado. A força aqui vem da raiva, do julgamento, da arrogância. Este tende a romper, a desgarrar-se e mais tarde irá sofrer os efeitos disso em sua vida. Talvez seus negócios não sejam prósperos, talvez seus relacionamentos sejam problemáticos.

Enfim, como sempre falamos, o caminho da transformação é o caminho do amor, da reconciliação e da paz consigo mesmo e com tudo do jeito que foi e que é em nosso sistema familiar.

Claudia Vassão

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3 comentários em “Boa e má consciência”

    1. Vou contar aqui (mas é uma historinha contada sempre pela prof Katharine Jansen):
      Os Irmãos Metralha são uma família voltada para o crime. Assim, o que é “certo” para aquela família é roubar bancos ou aplicar golpes nas pessoas.
      Mas imagina que um dos irmãos nasce diferente e ele acredita que o crime não compensa… e por isso, ele não quer roubar nem passar a perna em ninguém!
      Ao fazer isso – fazer diferente do que todos fazem no sistema familiar – ele está indo contra, ele coloca em risco seu pertencimento e sente a má consciência que se mostra como culpa por não fazer aquilo que todos esperam que ele faça.
      Este exemplo é perfeito pois mostra que não há julgamento moral de certo ou errado, bom ou ruim. Há apenas o que é diferente (que gera a má consciência e a culpa) do padrão familiar ou igual (que é a boa consciência e inocência).

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