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Uma crítica à consultoria organizacional

“Há a perspectiva que basicamente remonta à teoria da pulsão freudiana clássica com libido e mortido, os instintos brutos de vida e morte (o id) como impulsionadores das forças inconscientes dentro das organizações. Essa energia motriz pode ser vista como um banho de espuma em que a energia criativa e destrutiva borbulha o tempo todo de uma fonte independente, levando a ansiedades existenciais. Deslizes e sonhos freudianos são canais (estradas reais) para nos conectarmos com esse mundo inconsciente que gera ansiedade. As organizações e a maioria das teorias de gestão partem do pressuposto de que podem controlar essa energia caótica e ansiedade e muitos consultores são coniventes com essa visão, dando palavras às declarações de missão, estabelecendo objetivos organizacionais claros, criando estruturas, definindo funções, estabelecendo procedimentos e assim por diante.

Berne (1947/1971) sugeriu que esse controle é possível porque para ele o ego é “o órgão da maestria” que funciona “de acordo com o princípio de realidade” (pp. 73-74). Freud estava menos seguro. Ele mencionou aprender, não controlar. Aprender sobre essa energia é feito por trabalho analítico (Freud, 1925, p. 365), mas esse aprendizado só pode ser controlado marginalmente. Freud usou a metáfora do cavaleiro de rodeio em um cavalo selvagem: Se o cavaleiro (ego) não quer se separar do cavalo (id), que é mais poderoso do que ele, o cavaleiro não tem outra escolha senão fingir que ele conduz o cavalo (p. 369). Boa parte da consultoria organizacional é assim: fingir controlar o processo e conspirar com uma liderança que acredita no mesmo mito”.

(Texto do analista transacional Servaas van Beekum: The Relational Consultant. TAJ, Vol. 36, No.4, October 2006. Tradução de Maku de Almeida. Imagem: Starline)

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